Como escolher uma assessoria de investimentos: 6 passos
Uma assessoria de investimentos é um escritório que atende você em nome de uma corretora, como XP ou BTG. O assessor sugere aplicações, envia as ordens e acompanha a sua conta. Você não paga nada direto: quem paga o assessor é a corretora, com parte do que ela ganha nos seus investimentos. Se ainda está em dúvida entre assessoria e consultoria, comece por consultoria ou assessoria.
Os passos abaixo seguem os critérios do ranking de assessorias.
1. O escritório tem registro na CVM?
Confira o registro do escritório na CVM, o órgão que fiscaliza o mercado de investimentos. Todo assessor precisa estar credenciado, e a CVM publica a lista dos escritórios registrados. Confira na fonte oficial, pelo CNPJ, e não só no site do escritório. O passo a passo está em como verificar o registro na CVM.
2. A qual corretora ele está ligado?
Saiba onde o seu dinheiro vai ficar. O assessor trabalha por contrato com uma corretora ou um banco — quase sempre XP ou BTG Pactual — e a sua conta é aberta lá, em seu nome. O assessor não guarda o seu dinheiro: ele só envia as ordens. Escolher o escritório é, na prática, escolher também a corretora, os produtos que ela oferece e o aplicativo que você vai usar.
3. Quanto o assessor ganha com cada aplicação?
Pergunte quanto o escritório recebe em cada produto que recomendar. É um direito seu: a regra da CVM obriga o assessor a informar a própria remuneração quando o cliente pergunta, e obriga a corretora a divulgar como é remunerada (Resolução CVM 179).
Desconfie de “atendimento gratuito”. Alguns escritórios usam a expressão — a FAMI Capital afirma que os serviços de assessoria “são gratuitos” —, mas o custo existe e está dentro dos produtos. O tema está explicado em assessoria de investimentos é de graça? e em como o assessor ganha dinheiro.
4. Existe a opção de pagar uma taxa no lugar da comissão?
Pergunte se dá para trocar a comissão por uma taxa fixa ou percentual. Assim o ganho do assessor deixa de depender de quais produtos você compra. Algumas assessorias já oferecem isso: na Monte Bravo, o cliente escolhe entre os dois modelos, e no modelo por taxa a empresa declara devolver a comissão dos produtos. Outros grupos oferecem uma consultoria à parte, como a Ável, cujo braço de consultoria cobra uma taxa sobre o patrimônio. Veja assessoria com cobrança por taxa.
5. Quem vai atender você?
Peça o nome e a formação de quem vai cuidar da sua conta. Os bons escritórios mostram a equipe. Na SVN, cada assessor tem um perfil com cidade, certificação e tempo de casa; na Pequod, os profissionais aparecem com nome e certificação. Todo assessor precisa de uma certificação básica; títulos como CFP e CFA indicam formação mais aprofundada — veja certificações do mercado.
6. O atendimento muda conforme o valor investido?
Pergunte em que faixa você vai entrar e o que muda nela. Muitos escritórios dividem os clientes por valor investido: abaixo de certo patrimônio, o atendimento é digital ou em grupo; acima, há um assessor dedicado. A Pequod, por exemplo, publica cinco faixas, de até R$ 300 mil a mais de R$ 10 milhões.
Perguntas para levar à primeira conversa
| Pergunta | O que você quer ouvir |
|---|---|
| Qual o CNPJ do escritório na CVM? | Um número que você confere na consulta pública |
| A qual corretora vocês são ligados? | O nome da corretora onde a sua conta vai ficar |
| Quanto vocês recebem neste produto? | Um valor ou percentual, sem rodeio |
| Existe a opção de pagar por taxa? | Sim, com o valor por escrito, ou um “não” claro |
| Quem vai me atender? | Um nome e uma certificação que você confere |
| Vocês têm metas de venda por produto? | “Não” — a Manchester declara que os assessores “não trabalham com metas” |
Sinais de alerta
- Pressa para você aplicar num produto específico, sem explicar o custo.
- Muitas compras e vendas na sua conta sem um motivo claro — cada operação pode gerar ganho para a corretora.
- Produtos complexos oferecidos sem que o seu perfil de investidor tenha sido feito com cuidado.
Mais detalhes em sinais de que o assessor está empurrando produto e o roteiro completo de perguntas em o que perguntar antes de contratar uma assessoria.
Veja quem avaliamos
O ranking de assessorias de investimento mostra os escritórios avaliados, com nota e fonte em cada dado. Para quem está em São Paulo, há o ranking de assessorias de São Paulo.
Perguntas frequentes
Assessoria de investimentos cobra alguma coisa?
Não cobra direto de você. O assessor é pago pela corretora, com parte do que ela ganha nos seus investimentos: taxas dos fundos, corretagem e a diferença de preço em alguns títulos. O custo existe, só não aparece numa fatura separada.
Posso perguntar quanto o assessor ganha com um investimento?
Pode, e ele tem de responder. A regra da CVM obriga o assessor a informar a própria remuneração quando o cliente pergunta, e a corretora tem de divulgar como é remunerada pelos produtos que distribui.
É seguro deixar o dinheiro com um assessor?
O dinheiro não fica com o assessor: fica na corretora, em seu nome. O assessor só envia as ordens. Por isso, além do registro do escritório, vale conferir a corretora a que ele está ligado.
Qual a diferença entre assessor de investimentos e gerente de banco?
O gerente é funcionário do banco. O assessor trabalha num escritório independente, ligado por contrato a uma corretora ou banco, e é registrado na CVM como assessor de investimento. Os dois ganham, direta ou indiretamente, com os produtos que você compra.
Fontes e referências
- Resolução CVM nº 178 — assessor de investimento (art. 23) consultada em 07/10/2026
- Resolução CVM nº 179 — divulgação da remuneração ao investidor consultada em 07/10/2026
- CVM — Dados abertos, cadastro de assessores de investimento consultada em 07/10/2026
- FAMI Capital — assessoria ("serviços gratuitos") consultada em 07/10/2026
- Monte Bravo — modelo de cobrança por taxa consultada em 07/10/2026
- Ável Wealth — consultoria do grupo, cobrada por taxa consultada em 07/10/2026
- SVN Investimentos — equipe consultada em 07/10/2026
- Pequod Investimentos — quem somos (equipe e faixas de atendimento) consultada em 07/10/2026
- Manchester Investimentos — sobre nós ("não trabalham com metas") consultada em 07/10/2026
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