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Consultoria ou assessoria de investimentos: qual a diferença e qual escolher

Por Redação Avaliarei Atualizado em 6 min de leitura Metodologia

Qual a diferença entre consultoria e assessoria de investimentos?

A diferença é quem paga o profissional. Na consultoria, quem paga é você. Na assessoria, quem paga é a corretora onde o seu dinheiro está. Todo o resto — o custo, o tipo de recomendação, o conflito de interesse — vem dessa diferença.

As duas atividades são reguladas pela CVM, a Comissão de Valores Mobiliários, que fiscaliza o mercado de investimentos no Brasil. A consultoria segue a Resolução CVM 19; a assessoria, a Resolução CVM 178. São regras diferentes, com registros diferentes.

Lado a lado

Consultoria de investimentos Assessoria de investimentos
Quem paga Você, por uma taxa combinada A corretora, com parte do que ganha nos seus investimentos
Você recebe uma cobrança? Sim: valor fixo ou percentual do que você tem investido Não diretamente: o custo vem embutido nos produtos
Pode ganhar comissão dos produtos? Em regra, não (exceção: investidor profissional que assine um termo) Sim, é assim que ela é paga
Executa as aplicações por você? Não: ela orienta, e você aplica Sim: o assessor envia as ordens pela corretora
Onde fica o seu dinheiro Na corretora ou banco que você escolher Na corretora a que o assessor está ligado
Risco de conflito de interesse Menor Maior: o ganho do assessor depende do que você compra
Valor mínimo Costuma ter: entre as avaliadas, de R$ 100 mil a R$ 1 milhão Muitas atendem qualquer valor
Registro na CVM Consultor de valores mobiliários Assessor de investimento

Como a consultoria ganha dinheiro?

A consultoria cobra de você e de mais ninguém. A cobrança pode ser um valor fixo por mês ou por ano, ou um percentual do dinheiro que ela acompanha. A regra da CVM proíbe que ela receba qualquer pagamento que prejudique a independência da recomendação — como comissão de quem vende os produtos. A única exceção é o investidor profissional: na regra da CVM, quem tem mais de R$ 10 milhões investidos e assina um termo declarando isso. Só com esse cliente, e com termo assinado, a consultoria pode receber comissão e cobrar uma taxa sobre o lucro dos investimentos.

Algumas consultorias ainda deixam o dinheiro em corretoras que pagam comissões sobre fundos. As mais alinhadas declaram que essa comissão volta para a sua conta. Vale perguntar e pedir por escrito.

Como a assessoria ganha dinheiro?

O assessor é pago pela corretora, não por você. A corretora ganha com os seus investimentos — com as taxas dos fundos, com a corretagem das operações e com a diferença de preço em alguns títulos — e repassa uma parte ao escritório de assessoria. Quanto mais você investe e movimenta, mais o escritório ganha.

Por isso o atendimento parece gratuito, mas não é. A corretora é obrigada a divulgar como é remunerada (Resolução CVM 179), e o assessor tem de informar quanto ganha quando você pergunta. Algumas assessorias já oferecem a opção de pagar uma taxa no lugar da comissão: na Monte Bravo, por exemplo, o cliente pode escolher entre os dois modelos.

Qual escolher?

A consultoria tende a fazer mais sentido se:

  1. você já tem um valor investido acima do mínimo das consultorias (entre as que avaliamos, de R$ 100 mil na VAROS a R$ 1 milhão na Nord Wealth);
  2. quer uma recomendação sem incentivo de venda;
  3. não se importa de fazer as aplicações você mesmo, seguindo a orientação.

A assessoria tende a fazer mais sentido se:

  1. você está começando ou tem pouco dinheiro investido;
  2. quer alguém que execute as aplicações e acompanhe a conta no dia a dia;
  3. aceita o modelo de comissão e está disposto a perguntar quanto o assessor ganha em cada produto.

Não é uma escolha para sempre. É comum começar com assessoria e, quando o patrimônio cresce, passar para uma consultoria. Muitos grupos têm as duas coisas: oito dos dez escritórios de assessoria que avaliamos têm também uma consultoria ou um family office registrado na CVM.

Antes de contratar qualquer uma

Confira o registro na CVM. O nome no site não basta: muitas empresas se chamam de “consultoria” sem ter o registro de consultor. O passo a passo está no guia Como verificar o registro na CVM.

Depois, siga o roteiro de escolha de cada uma: como escolher uma consultoria e como escolher uma assessoria. E veja as avaliadas, com nota e fonte em cada dado, nos rankings de consultorias e de assessorias.

Perguntas frequentes

Assessoria de investimentos é de graça?

Não. Você não recebe uma cobrança separada, mas o assessor é pago pela corretora com parte do que ela ganha nos seus investimentos — taxas dos fundos, corretagem e a diferença de preço em alguns títulos. O custo existe; só não aparece numa fatura com seu nome.

Consultoria de investimentos vale a pena para quem tem pouco dinheiro?

Depende do valor e da forma de cobrança. Entre as consultorias que avaliamos, a entrada publicada vai de R$ 100 mil a R$ 1 milhão. Abaixo disso, a taxa da consultoria pode pesar mais do que o benefício. Para valores menores, uma assessoria ou o próprio estudo podem fazer mais sentido.

Posso ter consultoria e assessoria ao mesmo tempo?

Pode. Os seus investimentos ficam na corretora, que pode ter um assessor, e você pode contratar uma consultoria à parte para orientar as decisões. Só confira se a consultoria não recebe nada da corretora ou do escritório do assessor.

Como saber se a empresa é consultoria ou assessoria de verdade?

Pelo registro na CVM, o órgão que fiscaliza o mercado de investimentos. A consultoria aparece no cadastro de consultores; a assessoria, no de assessores de investimento. O nome no site não basta: muitas empresas usam a palavra "consultoria" sem ter esse registro.

Qual tem menos conflito de interesse?

Em geral, a consultoria, porque é paga por você e, em regra, não pode receber dos produtos. Mas o modelo não garante nada sozinho: vale perguntar como cada empresa cobra e se ela devolve qualquer comissão que receber.

Fontes e referências

  1. Resolução CVM nº 19 — consultoria de valores mobiliários (arts. 1º, 16 e 18) consultada em 07/10/2026
  2. Resolução CVM nº 178 — assessor de investimento consultada em 07/10/2026
  3. Resolução CVM nº 179 — divulgação da remuneração ao investidor consultada em 07/10/2026
  4. Resolução CVM nº 30 — investidor profissional (art. 11) consultada em 07/10/2026
  5. CVM — Dados abertos, cadastro de consultores de valores mobiliários consultada em 07/10/2026
  6. CVM — Dados abertos, cadastro de assessores de investimento consultada em 07/10/2026
  7. VAROS — consultoria de investimentos (valor mínimo) consultada em 07/10/2026
  8. Nord Wealth — página oficial (valor mínimo) consultada em 07/10/2026
  9. Monte Bravo — modelo de cobrança por taxa consultada em 07/10/2026

Quem assina esta página

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