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O que é family office, o que ele faz e quando faz sentido

Por Redação Avaliarei Atualizado em 4 min de leitura Metodologia

Uma definição que cabe numa frase

Family office é a estrutura que organiza o patrimônio de uma família como um todo, e não só a carteira de investimentos. Em vez de um banco para as aplicações, um advogado para o testamento, um contador para o imposto e ninguém olhando o conjunto, existe um ponto de coordenação que enxerga tudo e responde à família.

O nome vem de fora e não tem definição legal no Brasil. Por isso ele cobre coisas bem diferentes: de uma equipe que só gere investimentos a uma estrutura que cuida de sucessão, empresa familiar, imóveis, bens no exterior, filantropia e até da agenda da família.

O que um family office costuma fazer

As frentes mais comuns, em ordem de frequência entre os que avaliamos:

  1. Gestão de investimentos. Montar e acompanhar a carteira no Brasil e no exterior, escolher fundos e gestores, controlar risco.
  2. Consolidação. Reunir num só relatório o que está espalhado em vários bancos, corretoras e custodiantes. Parece pouco; para quem tem conta em cinco instituições, é o que permite saber quanto se tem.
  3. Planejamento patrimonial e sucessório. Coordenar, com advogados e contadores, testamento, holding, doações e a organização dos bens para a próxima geração. Veja o guia sobre planejamento sucessório.
  4. Governança familiar. Acordo de família, conselho, preparação dos herdeiros. Há um guia só sobre governança e próxima geração.
  5. Serviços de apoio. Concierge, imigração, filantropia, dependendo da casa.

Nem todo family office faz tudo. Alguns concentram-se em investimentos e indicam parceiros para o resto. Isso não é defeito; é escopo. O problema é descobrir depois.

Single ou multi

O single family office atende uma família só e é bancado inteiramente por ela. O multi family office atende várias famílias e divide entre elas o custo de equipe, sistemas e compliance. A diferença de custo, independência e escala está explicada em single ou multi family office.

Sob qual registro ele opera

A CVM não tem registro de “family office”. O que ela regula é a atividade:

  • Quem toma decisões de investimento em nome do cliente faz administração de carteira, regida pela Resolução CVM 21. A norma define a atividade como a gestão profissional de uma carteira, “incluindo a aplicação de recursos financeiros no mercado de valores mobiliários por conta do investidor”.
  • Quem orienta e recomenda, mas deixa a execução com o cliente, faz consultoria de valores mobiliários, regida pela Resolução CVM 19. Ali, a adoção e a implementação das recomendações são “exclusivas do cliente”.

A diferença importa para você: no primeiro caso, alguém compra e vende em seu nome; no segundo, nada acontece sem a sua ordem. O guia family office: gestora ou consultoria aprofunda. Os dois registros podem ser conferidos de graça nos dados abertos da CVM, como explicamos em como verificar o registro na CVM.

Quando faz sentido

Não existe patrimônio mínimo oficial, e poucas casas publicam o seu. O que encontramos, entre os family offices que avaliamos:

  • A We Capital declara no Formulário de Referência atender patrimônio total acima de R$ 250 milhões.
  • O formulário de contato da WHG começa na faixa de R$ 20 a 50 milhões.
  • A Turim informa ao regulador americano, no Form CRS, que atende pessoas de alto patrimônio e instituições sem estabelecer um valor mínimo de conta.

Mais útil que o número é a pergunta de fundo: a sua situação já não cabe numa carteira? Alguns sinais de que sim:

  • há uma empresa familiar, com sócios da família e uma sucessão a planejar;
  • há imóveis, participações e investimentos em mais de um país;
  • há herdeiros em fases diferentes da vida, com interesses diferentes;
  • você tem conta em várias instituições e não sabe o custo total que paga.

Se a resposta é não, uma consultoria de investimentos pode resolver a parte financeira por menos.

O que perguntar antes de contratar

  1. Qual o registro na CVM, e em nome de qual CNPJ? O nome comercial e a razão social às vezes não batem.
  2. Como vocês são remunerados? Taxa fixa, percentual, performance? Peça a faixa por escrito. Veja quanto custa um multi family office.
  3. O que acontece com o rebate dos produtos? Devolvido, creditado na carteira ou retido?
  4. Quem controla a empresa? Um banco, uma corretora ou uma assessoria entre os sócios muda o incentivo. Veja quem controla o seu family office.
  5. Quem faz o jurídico e o tributário, e quem responde por isso?

Onde ver os family offices avaliados

Reunimos os multi family offices que avaliamos, com registro, modelo de cobrança e controle societário conferidos em fonte pública, no ranking dos melhores family offices. Os critérios estão na metodologia.

Perguntas frequentes

Family office precisa de registro na CVM?

Não existe a categoria "family office". Se a estrutura toma decisões de investimento pelo cliente, precisa de registro de administrador de carteira (Resolução CVM 21); se só recomenda, de consultor de valores mobiliários (Resolução CVM 19). Dá para conferir os dois nos dados abertos da CVM.

Qual o patrimônio mínimo para contratar um family office?

Não há número oficial, e poucas casas publicam o seu. Entre as avaliadas, a We Capital declara atender patrimônio acima de R$ 250 milhões, e o formulário de contato da WHG começa na faixa de R$ 20 a 50 milhões. A Turim declara ao regulador americano que não estabelece valor mínimo.

Family office é a mesma coisa que private banking?

Não. O private banking é a área de um banco que atende clientes de alta renda e, em geral, ganha também com os produtos que distribui. O family office independente é contratado e pago pela família, e o que ele declara fazer com comissões de produtos é a informação que mais diz sobre o alinhamento.

O family office cuida também de imposto e herança?

Muitos coordenam esses temas, mas quem assina o planejamento sucessório e tributário costuma ser advogado ou contador, interno ou parceiro. Pergunte quem faz cada parte e quem responde por ela.

Fontes e referências

  1. Resolução CVM nº 21, sobre a administração de carteiras de valores mobiliários consultada em 07/10/2026
  2. Resolução CVM nº 19, sobre a consultoria de valores mobiliários (texto consolidado) consultada em 07/10/2026
  3. CVM — Dados abertos, cadastro de administradores de carteira consultada em 07/10/2026
  4. CVM — Dados abertos, cadastro de consultores de valores mobiliários consultada em 07/10/2026
  5. We Capital — Formulário de Referência 2025 consultada em 07/10/2026
  6. WHG — site oficial consultada em 07/10/2026
  7. Turim — Form CRS (março de 2026) consultada em 07/10/2026

Quem assina esta página

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