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Quanto custa um multi family office no Brasil

Por Redação Avaliarei Atualizado em 4 min de leitura Metodologia

Como o multi family office cobra

Quase todos cobram uma taxa anual sobre o patrimônio acompanhado, debitada em parcelas mensais, trimestrais ou semestrais. Alguns somam a ela uma taxa de performance, uma fatia do ganho acima de um referencial. Honorário fixo em reais existe, mas é menos comum nesse segmento.

O problema é que pouca gente publica o número. Entre os dez family offices que avaliamos, a maioria declara o modelo, mas não a taxa. Os que publicam alguma faixa estão abaixo, com a fonte de cada um.

As faixas publicadas

Empresa O que publica Onde
Turim 0,40% a 0,55% ao ano; excepcionalmente de 0,10% a 0,80%. Performance de 10% a 15%, excepcionalmente de 7,5% a 20% Form CRS, entregue ao regulador americano
G5 Partners Até 1% ao ano, como “única forma de remuneração” Formulário de Referência
Faros MFO Taxa de administração de 0,25% a 1% na gestora do grupo Formulário de Referência da gestora

É pouco, e isso já diz algo sobre o mercado. Publicar a faixa não torna uma casa barata; torna possível compará-la. Por isso transparência de custos pesa 17% na nossa metodologia.

Quanto pesa a performance

O Formulário de Referência das gestoras informa que parte da receita dos últimos 36 meses veio de taxa fixa e que parte veio de performance. É o jeito mais direto de ver o quanto o modelo depende do resultado:

A performance não é proibida nem necessariamente ruim, mas muda o incentivo: quem ganha mais quando a carteira sobe muito tem motivo para assumir mais risco. O guia taxa de performance em family office explica referencial, marca d’água e o que conferir no contrato.

Negociação e faixas por patrimônio

A taxa publicada é ponto de partida, não preço fechado. A Turim, por exemplo, informa no Form CRS que as taxas são negociáveis caso a caso. Em geral, o percentual cai conforme o patrimônio cresce, em faixas regressivas: a primeira parcela paga mais, as seguintes pagam menos.

Duas consequências práticas. Primeiro, peça a tabela de faixas, não só a taxa média: ela mostra quanto você pagaria se o patrimônio dobrasse ou caísse pela metade. Segundo, desconfie da taxa negociada para baixo sem explicação, porque a diferença pode estar reaparecendo em outra camada, como fundos da casa ou rebate retido.

O que vem por cima da taxa

A taxa do family office é só a camada visível. Abaixo dela:

  1. Taxa de administração e de performance dos fundos que entram na carteira, já descontadas da cota.
  2. Custódia e corretagem das instituições onde o dinheiro está.
  3. Spread em títulos comprados no mercado secundário.
  4. Honorários de terceiros: advogados, contadores, estruturas no exterior.

A própria Turim lembra isso no Form CRS: fundos de terceiros cobram suas taxas à parte, e a casa declara não receber parte delas. Essa declaração, aliás, é a segunda informação que você deve pedir: o que acontece com o rebate, a comissão que gestores e distribuidores pagam sobre os fundos. Devolvido ao cliente, ele reduz o custo; retido, vira um custo invisível e um incentivo a escolher o produto que paga mais.

Como somar o custo total

Converta tudo em reais por ano e divida pelo patrimônio:

custo total anual (%) = (taxa do family office + taxas dos fundos + custódia + corretagem + terceiros) ÷ patrimônio × 100

Um exemplo, só como ilustração: patrimônio de R$ 50 milhões, taxa de 0,5% (R$ 250 mil), fundos com custo médio de 0,8% sobre metade da carteira (R$ 200 mil) e R$ 50 mil de outros custos. Total de R$ 500 mil, ou 1% ao ano. Note que, nesse exemplo, a taxa do family office é só metade do custo.

O que pedir por escrito

  1. A taxa ou a faixa, e se há regressão por patrimônio.
  2. Se há performance: percentual, referencial, marca d’água e periodicidade.
  3. A política de rebate.
  4. Uma estimativa do custo total anual da carteira proposta, com todas as camadas.
  5. O que está incluído (consolidação, planejamento sucessório, relatórios) e o que é cobrado à parte.

A lógica é a mesma das consultorias; se quiser comparar, veja quanto custa uma consultoria de investimento e o guia sobre as camadas de custo de um investimento.

Compare os family offices

O ranking dos melhores family offices mostra, para cada empresa, o modelo de cobrança, a política de rebate e o que ela publica sobre preço.

Perguntas frequentes

Onde encontro a taxa de um family office?

Poucos publicam em página de preços. O lugar mais provável é o Formulário de Referência, que gestoras e consultorias entregam à CVM e publicam no site: ele traz as formas de remuneração e quanto da receita veio de taxa fixa e de performance nos últimos 36 meses.

Taxa de 0,5% ao ano é muito?

Depende do que está incluído e do que vem por cima. Some a taxa do family office, as taxas dos fundos da carteira, custódia e corretagem, e só então compare. Uma taxa baixa com fundos caros pode sair mais cara que uma taxa alta com fundos baratos.

A taxa é negociável?

Em geral, sim, e algumas casas dizem isso por escrito. A Turim, por exemplo, informa no Form CRS que as taxas são negociadas caso a caso. Faixas regressivas por tamanho de patrimônio também são comuns.

O que significa receita 100% fixa no Formulário de Referência?

Que nos 36 meses anteriores toda a receita da empresa com clientes veio de taxas com base fixa, sem performance. É um indicador simples de quanto o modelo depende de resultado.

Fontes e referências

  1. Turim — Form CRS (março de 2026) consultada em 07/10/2026
  2. G5 MFO — Formulário de Referência (maio de 2026) consultada em 07/10/2026
  3. Faros MFO — regulatório e Formulários de Referência consultada em 07/10/2026
  4. AMB Multi Family Office — Formulário de Referência consultada em 07/10/2026
  5. Wright Capital — Formulário de Referência 2026 consultada em 07/10/2026
  6. Brainvest — Formulário de Referência consultada em 07/10/2026
  7. Portofino — Formulário de Referência (março de 2026) consultada em 07/10/2026
  8. WHG Capital — Formulário de Referência na CVM consultada em 07/10/2026
  9. Resolução CVM nº 21, sobre a administração de carteiras de valores mobiliários consultada em 07/10/2026

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