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Family office: gestora ou consultoria? O registro que muda quem decide

Por Redação Avaliarei Atualizado em 4 min de leitura Metodologia

Não existe registro de family office

A CVM não regula o nome “family office”. Regula atividades. Uma estrutura que cuida do patrimônio de famílias pode precisar de um registro, de outro, dos dois ou, se não mexe com valores mobiliários, de nenhum. A pergunta útil, portanto, é: o que essa empresa faz com o meu dinheiro, e sob qual autorização?

As duas habilitações

Administrador de carteira (Resolução CVM 21)

A norma trata da administração profissional de carteiras, que inclui “a aplicação de recursos financeiros no mercado de valores mobiliários por conta do investidor”. Na categoria gestor de recursos, é quem decide o que comprar e vender. Na prática dos family offices, isso costuma vir num contrato de carteira administrada ou em fundos exclusivos da família.

Consultor de valores mobiliários (Resolução CVM 19)

A consultoria é a orientação, recomendação e aconselhamento profissional, independente e individualizado sobre investimentos, “cuja adoção e implementação sejam exclusivas do cliente”. O consultor recomenda; quem dá a ordem é você.

Por que a maioria dos family offices é gestora

Dos dez multi family offices que avaliamos, oito usam o registro de administrador de carteira e dois o de consultoria, segundo os cadastros abertos da CVM consultados em 07/10/2026:

A explicação mais provável é operacional. Uma família com contas em vários bancos, fundos exclusivos e investimentos no exterior não quer aprovar cada ordem. A gestão discricionária permite ao family office executar dentro de uma política combinada. A Turim, por exemplo, declara no Form CRS que presta principalmente gestão discricionária, conforme autorizado no contrato com o cliente.

Os grupos, aliás, costumam ter as duas coisas. A Turim, a Brainvest e a AMB têm uma consultoria registrada ao lado da gestora; a Faros e a Troon, registradas como consultoria, têm uma gestora no grupo desde 2025 e 2024, respectivamente.

O que muda para você

Quem decide

Na gestora, você define com o family office uma política de investimentos (objetivo, risco, limites) e ele opera dentro dela. Você acompanha pelos relatórios. Na consultoria, cada mudança passa por você, o que dá mais controle e exige mais tempo.

Como pode ser cobrado

A Resolução CVM 19 só permite à consultoria cobrar taxa de performance de investidores profissionais. Na gestora, a performance aparece com mais frequência; o Formulário de Referência mostra quanto da receita ela representa. Veja taxa de performance em family office.

O que a empresa precisa publicar

As duas resoluções exigem um Formulário de Referência, com equipe, remuneração, grupo econômico e processos. No das gestoras, há ainda o patrimônio sob gestão, o número de investidores e o valor dos dez maiores clientes. A AMB, por exemplo, declara ali 221 investidores e R$ 1,9 bilhão sob administração em 31/12/2025. É o documento mais útil para comparar casas.

Quem responde

Nas duas atividades, a pessoa jurídica indica um diretor responsável, identificado no Formulário de Referência. Vale saber o nome de quem responde pela gestão ou pela consultoria do seu patrimônio.

Como conferir

  1. Pegue o CNPJ no contrato, não no site.
  2. Procure no cadastro de administradores de carteira e no de consultores, nos dados abertos da CVM. Atenção ao campo de situação: precisa estar em funcionamento normal.
  3. Confira se o CNPJ do contrato é o mesmo do registro. Em grupos com várias empresas, o serviço pode estar em uma e o registro em outra.

O passo a passo está em como verificar o registro na CVM.

Perguntas para a primeira reunião

  1. Qual empresa do grupo vai assinar o meu contrato, e com qual registro?
  2. Se for gestão discricionária, qual é a política de investimentos? Peça os limites por escrito: classes de ativos, concentração máxima, liquidez, exposição ao exterior.
  3. Com que frequência e em que formato recebo relatórios? Na gestão discricionária, o relatório é a sua principal ferramenta de controle.
  4. Se for consultoria, quem executa as ordens? Você, com o seu banco, ou alguém em seu nome com procuração? A diferença importa para saber quem responde por um erro.
  5. Posso mudar de modelo depois? Algumas famílias começam com consultoria e passam para gestão, ou o contrário.

Nenhum dos dois é melhor por si

Gestora não é mais séria que consultoria, nem o contrário. Cada registro serve a um tipo de relação. O que pesa é saber qual você está contratando, o que ele permite e quanto ele custa. No ranking dos melhores family offices, o registro de cada empresa aparece na ficha, com data e CNPJ.

Perguntas frequentes

O que é gestão discricionária?

É quando o cliente autoriza, por contrato, que o gestor compre e venda em nome dele, dentro de uma política de investimentos combinada, sem pedir aprovação a cada operação. É o que a Resolução CVM 21 chama de aplicação de recursos por conta do investidor.

Consultoria pode cobrar taxa de performance?

Pela Resolução CVM 19, só de investidores profissionais. A gestora não tem essa restrição na mesma forma, e por isso a performance aparece com mais frequência entre family offices registrados como gestora.

Um grupo pode ter os dois registros?

Pode, em empresas diferentes. Entre os avaliados, Turim, Brainvest e AMB têm uma consultoria registrada ao lado da gestora; Faros e Troon têm uma gestora ao lado da consultoria. Confira em qual das empresas do grupo o seu contrato está.

Fontes e referências

  1. Resolução CVM nº 21, sobre a administração de carteiras de valores mobiliários consultada em 07/10/2026
  2. Resolução CVM nº 19, sobre a consultoria de valores mobiliários (texto consolidado) consultada em 07/10/2026
  3. CVM — Dados abertos, cadastro de administradores de carteira consultada em 07/10/2026
  4. CVM — Dados abertos, cadastro de consultores de valores mobiliários consultada em 07/10/2026
  5. AMB Multi Family Office — Formulário de Referência consultada em 07/10/2026
  6. Turim — Form CRS (março de 2026) consultada em 07/10/2026

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